Manuel F. A. Meirinhos
1998
Existem neste momento, 3 tipos de folhas de acetato.
- Folhas normais, para concepção manual de acetatos (as
mais baratas)
- Folhas de alta temperatura, para utilizar em fotocopiadoras e impressoras
a laser.
- Folhas absorventes, para utilizar em impressoras a jacto de tinta,
onde podem imprimir-se acetatos a cores (bastante caras)
As primeiras (folhas normais), utilizam-se para fazer desenhos
ou esquemas, criados ou decalcados. O que normalmente se faz é ampliar
numa fotocópia, esquema ou imagem que queremos passar para acetato.
Depois da imagem ampliada, coloca-se a folha de acetato por cima e decalca-se.
É o processo mais barato de obter transparências.
As folhas de alta temperatura utilizam-se para obter fotocópia
em acetato (a preto e branco ou a cores), ou para obter impressões
a laser, a partir de imagens em computador.
Para tirar fotocópia em acetato é necessário,
primeiro, tirar fotocópias dos originais, recortar as imagens, colar
essas imagens em folha branca e depois fotocopiar para o acetato. No caso
das fotocópias serem a cores, é necessário ter consciência
que vai ficar muito caro!
Nota: É muito importante ter a certeza que estamos a introduzir
na fotocopiadora ou impressora laser uma folha de acetato de alta temperatura,
pois as outras folhas derretem provocando graves danos nas máquinas.
Alguns princípios fundamentais para a concepção
de transparências:
- Os princípios para a concepção de transparências
são semelhantes, aos princípios para a concepção
de imagens didácticas, a nível da atenção e
percepção (folha em anexo); No entanto, podem pensar-se outros
princípios que devem estar presentes quando elaboramos uma transparência;
- O esquema geral do acetato não deve ser muito “pesado”. Se
acharmos que tem muita informação, é preferível
pensar noutra forma de organização dessa informação,
utilizando mais do que um esquema, ou utilizando a técnica da sobreposição.
- Uma transparência não deve possuir muito texto. A projecção
existe pela imagem e não pelo texto. Assim, o texto deve ser subsidiário
da imagem, isto é, o texto, se existir, deve estar em função
da imagem e não ao contrário.
- A mancha informativa - texto imagem -, deve estar rodeada por um
quadrado, a uma distância de 0,5 a 1cm. Estes quadrados ajudam a
centrar a atenção nessa zona de informação.
No caso da imagem querer transmitir a ideia de expansão ou imensidão,
o quadrado deve eliminar-se, mas nestas situações faz-se
com discernimento.
- Devem deixar-se margens aproximadas de 3 cm, podendo ser menor
à direita. É necessário pensar que alguns projectores
não projectam a toda a largura da folha. Não se devem conceber
transparências com grandes imagens em folha deitada, pois o projector
não projecta a folha na globalidade.
- As linhas de texto devem ter perto de 7 palavras, nunca mais de 10.
O texto deve ser bastante legível. Nos grandes títulos podem
utilizar-se letras maiúsculas, mas nos subtítulos e texto
normal, deve utilizar-se a letra minúscula. Esta letra é
mais legível. Se o acetato for feito em computador, devem utilizar-se
tipos de letra como o arial ou helvetica, que possuem contornos bem definidos,
e não devem utilizar-se letras muito rendilhadas, que dificultam
a percepção.
- Os objectos ou texto a realçar devem estar destacados. No
texto os conceitos fundamentais podem estar sublinhados, escritos com outra
cor, a negrito ou itálico. nas imagens, o que é fundamental
deve estar em primeiro plano, em destaque, com contornos definidos, o que
é secundário pode estar em segundo plano e sem contornos.
Aquilo que não é necessário deve mesmo retirar-se.
No texto a cor vermelha utiliza-se muito para sublinhar; nas imagens (a
preto e branco) a cor vermelha destaca rodeando uma figura com uma circunferência
ou indicando-a com uma seta.
- As melhores cores para utilizar em texto são: o preto, o azul
e também o vermelho (quando a mancha de texto for pequena).
- No desenho de linhas deve também utilizar-se o preto, o azul
e o vermelho. Nunca utilize o amarelo para desenhar linhas! O amarelo e
as outras cores são melhores para pintar figuras e fundos.
- Pintar acetatos: Não é necessário preencher
a caneta de acetatos, todas as figuras ou fundos! Para pintar acetatos
é necessário ter canetas de acetato, álcool e algodão.
- O acetato não deve ser pintado no lado da folha onde foi desenhado
ou fotocopiado, mas sim no verso. Desta forma não se eliminam as
linhas do desenho, nem se borra a imagem fotocopiada.
- Na imagem que queremos pintar fazem-se uns traços ou pontos
com a cor a preencher. Coloca-se um pouco álcool em algodão
e desloca-se depois na zona a pintar. A intensidade da cor obtida depende
da quantidade de tinta inicial e da quantidade de álcool utilizada.
É conveniente utilizar pouco álcool. Com alguma prática
desta técnica poupa-se muita tinta e obtêm-se resultados espectaculares!
- Não se devem utilizar muitas cores. O normal é 4, e
nunca mais de 6. É necessário ter em atenção
que (ver folhas anexas):
- as cores deve-se utilizar para explicar melhor e não para
decorar; deve evitar-se o efeito “Arvore de Natal”.
- As cores devem estabelecer padrões, agrupar itens semelhantes,
conceitos a estabelecer relações, ou para diferenciar, mas
nunca para confundir.
- é necessário pensar que a cor pode desempenhar uma
função.
- Para eliminar textos, linhas ou imagens, utiliza-se o álcool.
Mas já existem borrachas para eliminar tinta em acetato, muito eficientes
neste trabalho.
Utilização do retroprojector e exploração
de transparências
- Antes do início da aula é essencial verificar o funcionamento
do retroprojector, e localizá-lo de forma a que a projecção
seja facilitada a todos os alunos.
- Na exploração das transparências, sempre que
necessário devem utilizar-se “mascaras”, uma folha por exemplo,
para mostrar apenas a informação necessária. O professor
vai deslocando a folha à medida que explora os vários esquemas
do acetato. Estas mascaras evitam a dispersão da atenção
para pontos momentos sem interesse. Também existem as mascaras selectivas,
em que se colocam papeis em vários pontos do acetato, que depois
se vão retirando. Em algumas situações esta técnica
pode aumentar as expectativas.
- Uma das vantagens do retroprojector é permitir associar de
maneira mais flexível a palavra e a imagem, estabelecendo uma relação
constante entre aquilo que se diz e aquilo que se vê.
- A projecção pode ser feita sem grande luminosidade
na sala, o que permite aos alunos fazer anotações, e ao professor
não perder o contacto visual com os alunos.
- Não existe consenso quanto à colocação
do professor em relação ao retroprojector durante a projecção.
Se o professor quiser explorar a projecção a partir do projector,
deve colocar-se à direita deste, e apontar directamente, com uma
caneta ou lápis directamente no acetato. Esta técnica tem
algumas inconveniências: O professor não vê a projecção,
e uma pequena deslocação da transparência pode fazer
com esteja a falar daquilo que os alunos não estão a ver.
Ao apontar directamente no acetato, o nervosismo (que pode acontecer em
situações de stress) é ampliado na projecção.
Se a pessoa que está a explorar a projecção se sentir
nervosa não deve utilizar esta técnica. Na minha opinião,
sempre que possível deve explorar-se a transparência a partir
da projecção, colocando-se o professor ao lado desta. Assim
tem a certeza que toda a gente vê a projecção. Quando
a informação projectada se predispõe para a discussão,
o professor pode mesmo explorar a projecção do fundo da sala,
aproveitando uma das grandes vantagem desta – a ampliação
da imagem -.
Princípios gerais a ter em conta na concepção de imagens
Em relação à atenção:
- A atenção é altamente selectiva
- A atenção é dirigida para o que é novo
ou diferente
- A atenção é dirigida para o que é moderadamente
complexo
- Arranjos que contém só informação essencial
prendem a atenção
- Indicadores inteligentes podem dirigir a atenção (sublinhados,
círculos, setas, etc.).
- As expectativas do aluno podem influenciar fortemente a atenção.
- Um certo grau de incerteza pode induzir uma atenção
mais cuidada
Em relação à percepção:
- A percepção é organizada
- A percepção é mais influenciada pela parte informativa
de um arranjo gráfico
- Arranjos gráficos e arranjos de diferentes elementos que apareçam
semelhantes, tendem a ser agrupados na percepção e associados
na memória
- Arranjos gráficos ou elementos que apareçam juntos
no espaço ou no tempo tendem a ser agrupados na percepção
e na memória
- Arranjos gráficos diferentes tendem a separar ideias na percepção
e na memória
- Nos aranjos gráficos não é aconselhável
mais de 2 ou 3 tipos de letra
- Os textos em letra minúscula são mais legíveis.
A cor
A cor está carregada de informações, e é
uma das experiências visuais que todos (ou praticamente todos) temos
em comum. As cores são uma valiosísima fonte de estímulos
visuais, aos quais normalmente associamos um significado. As cores, estão
normalmente carregadas de simbologia.
Tal como refere Dondis (1976):
“O amarelo é a cor que se considera mais próxima
da luz e do calor; o vermelho é o mais emocional e activo; o azul
é passivo e suave. O amarelo e vermelho tendem a expandir-se, o
azul a contrair-se. Quando se associam em misturas obtêm-se novos
significados. O vermelho que é de matriz provocador, amortiza-se
ao misturar-se com o azul e activa-se ao misturar-se com o amarelo. As
mesmas alterações nos efeitos obtêm-se com o amarelo
que se suaviza ao misturar-se com o azul.”(p.67)
Na sua formulação mais simples, a estrutura cromática
apresenta-se mediante a roda das cores. Nesse mapa aparecem as cores primárias
(amarelo, vermelho e azul), e as secundárias (laranja, verde e violeta).
A partir desse mapa podem obter-se numerosas variações de
cores.

De acordo com Dondis (1988), uma vez que a percepção da
cor é a parte simples mais emotiva do processo visual, tem uma grande
força e pode utilizar-se para expressar e reforçar a comunicação
visual.
A cor pode ter também um papel motivador, e evocar uma grande
gama de respostas psicológicas. É uma ferramenta poderosa
para organizar ideias no papel [ou noutro suporte] de um modo visual. Pode
tornar os documentos mais expressivos, diferenciando o essencial, chamando
a atenção ou orientando a leitura, podendo obter informações
mais rapidamente.
O uso efectivo das cores fortalece as mensagem, facilitando a
sua interpretação, realçando-a e enfatizando informações
importantes. Mas, é necessário reflectir sobre o seu modo
de utilização, pois um uso inadequado pode desviar a atenção
ou criar confusão.
É necessário entender o relacionamento entre as cores:
- Para unificar um documento deverá usar a mesma cor, variando-a,
tornando-a mais clara e escura.
- para criar harmonia deverá utilizar cores próximas
(na roda das cores).
- Para efeitos de contraste devem-se utilizar cores mais apagadas ou
neutras em segundo plano e cores mais vivas no primeiro plano. devem evitar-se
cores de fundo que sejam demasiado altas em brilho e saturação
- As cores devem ser compatíveis. Não é muito
aconselhável utilizar cores complementares como o azul/laranja,
vermelho/verde.
- Deve haver coerência na utilização das cores
ao longo de toda a apresentação, isto é, se uma cor
se utiliza com determinado significado, deve manter sempre esse valor conotativo.
É necessário respeitar o princípio da uniformidade.
- Para facilitar a leitura de textos, deve pensar-se que a cor da escrita
deve estar em contraste com o fundo.
Bibliografia
Burns, e al (1990). Técnicas de editoração electrónica.
Ed.Campus. Rio de Janeiro.
Vidorreta Garcia, C. (1979): Como obtener buenos resultados com el
retroproyector. Ediciones Anaya. Madrid
Ferreira, F. T. (1995): As novas tecnologias (da)na (in)formação
- informática e audiovisuais na criação e execução
de apresentações. Porto Editora.
Dondis (1998): La sintaxis de la imagem. Editorial Gustavo Gili. Madrid
Fleming, M. l.(1987): Displays and communication. in Robert Gagné;
Intrucional Technology: Fundations. Lawrence Eribaun Associates, inc. New
Jersey
Moreira, Manuel A.; (1991): Los medios, los professores y el currículo.
Sendai. Barcelona.